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Elogio as amantes

É sempre assim, as moças dignas se casam. As moças dignas namoram anos a fio. As outras? As outras são as piranhas. As amantes são as putas.
Mas vocês, minhas caras senhoras distintas, já se perguntaram alguma vez por que os seus namorados nos procuram, já que vocês são tão boas e tão cheias dessa proclamada pureza? “Eles não as amam”- dirão-“Só estão com vocês como diversão!” Ora, as traídas não são vocês? Então, sinto muito, se existe alguém que eles não amam nessa história, são vocês. Conosco eles “só querem diversão”?  E eles querem o que com as donzelas? Roupa lavada, comida pronta, filhos criados?
Vocês se corroem por dentro com pensamentos escusos. Suas mãos, tão puras, deslizam por entre as pernas e vocês se contorcem em meio a gemidos abafados, trancadas dentro do quarto sozinhas. Ninguém, nem mesmo os maridos, podem saber que vocês se entregam dessa forma a luxúria. Mas as sujas? As sujas somo nós! Nós que expurgamos a nossa libido, que colocamos para fora o que sentimos.

A essa hora vocês estão chocadas, achando o meu discurso pornográfico e sem decoro! Porra, vamos parar com a hipocrisia! Isso é normal. Todo mundo possui sistema nervoso, logo sente prazer. Todo mundo tem hormônios, logo sente vontade de fazer sexo.

Mas eu não estou falando só de sexo. Estou falando de amor. Principalmente de amor! Nós amamos seus maridos, nós amamos os seus namorados. E essa porra de amor não se escolhe! Precisa amar muito para sair com uma cara que não vai te assumir. Nós sabemos que o povo vai ignorar isso e vai nos olhar como  olham para as vadias de beira de estrada, mas nós encaramos. Encaramos por amor. Amor por um homem que nem “nosso” é. Eu duvido que vocês, moças direitas, passariam por tudo isso pelos seus maridos. As amantes amam, minhas caras. E as esposas? Desposam? 
Estava já na hora de alguém defender a classe das mulheres que durante toda a história deram suas caras a tapa e por amor cuspiram na hipocrisia da sociedade. Nós, as amantes!

Janette Machado

Ps: Gente, obviamente o eu-lírico desse texto é fictício, não sou eu mesma! HAHAHAHHAHAHAHAHAHAH  

“Eu estou com medo. Estou morrendo de medo. Medo de que as coisas não mudem nunca, medo de que nada dê certo. 

Medo e culpa. Uma culpa filha da puta. Culpa não só pela forma com que eu agi antes, mas culpa por ainda nutrir os mesmos sentimentos. 

Deus, você mais do que ninguém sabe o quanto eu tenho tentado. Ainda assim eu tenho medo de que essas tentativas não sejam o suficiente. 

Eu queria tanto uma chance, uma chance concreta de mostrar que eu estou me esforçando para mudar. 

Mas eu sigo, e sigo com fé. Fé em Deus, fé em mim. Eu vou mudar e as coisas vão mudar. assim será. “

Janette Machado

Minha professora de redação propôs que fizéssemos um texto biográfico sobre o nosso ídolo. O resultado, vocês conferem abaixo.

“A diferença entre a vida e a arte é que a arte é mais suportável”

Bêbado, mulherengo e vagabundo. Mas com um pássaro azul guardado no peito. Esse era Charles Bukowski. Nascido em 16 de agosto de 1920 na Alemanha, o “Velho safado”, como ficou conhecido, mudou-se ainda criança para os Estados Unidos.
Com um pai extremamente violento e autoritário, e  sérias inflamações que atingiram toda a parte superior de seu corpo, Bukowski tornou-se alvo de chacotas, indo se refugiar na bebida e na arte da escrita, que o ajudavam a suportar algo que para ele sempre foi penoso, viver.

Sem papas na língua, ele escrevia sobre fatos corriqueiros e não vacilava em citar nomes, deixando sempre bem claro que a maioria de seus textos tinha cunho auto-biográfico. Buk fez de ruas imundas e infernos psicológicos seu paraíso. Como foi dito por ele mesmo, tudo que era mau o atraia.

Charles fazia leituras de seus textos em eventos culturais e faculdades. Sua linguagem debochada e escrachada causavam escândalo e muitas vezes brigas com a plateia. Por isso, mesmo escrevendo desde os quinze anos, só foi ter seu primeiro texto aceito por uma editora quando tinha quase quarenta.

A falta de compreensão das pessoas e o complexo de Édipo tornaram-o um homem solitário e amargurado. Características que ficam explícitas em trechos clássicos de suas obras como: “Eu não odeio as pessoas, só prefiro quando elas nãos estão por perto.” ou ainda, “Os grandes homens são sempre os mais solitários.” Bukowski era um anti-herói. Não tinha medo da morte, tinha medo da vida. Criava seus próprios fantasmas e era obrigado a confrontá-los diariamente. Muitas vezes acreditou estar a beira da loucura. Fez da dor sua arte, da bebida sua morfina, do sexo seu consolo e da vida seu inferno. 
“Beber não é uma doença? -Não, respirar é uma doença!” Em 9 de março de 1994 uma leucemia curou a “doença” desse homem que foi tudo, menos feliz.

“A dor é uma coisa estranha(…)

A dor chega, bang,

E eis que ela te atinge, é real(…)

E não há cura para isso,

A menos que encontres alguém

que compreenda realmente o que sentes

e saiba te ajudar.”


Janette Machado 

Imperativo

Se forme. Case-se. Tenha filhos. Passe o fim de semana com a família no sítio. Compre um videogame novo no aniversário do seu filho e o deixe jogando pelo resto do ano. Viaje para o exterior nas férias. Gaste todo o seu dinheiro num souvenir do Mickey. Fique com vontade de mandar seu chefe tomar no cu, mas engula a vontade e sorria. Troque de carro todo ano. Tenha um cachorro, mas não tenha tempo para lhe dar atenção. Esqueça em quem votou para deputado. reclame dos impostos. Molhe a mão do policial para que ele não te multe. Trabalhe das 7h às 19h. malhe das 20h às 22h. Durma das 23h às 4h. Beba o café no caminho. Jogue o lixo pela janela do carro. Mande as crianças para o colégio, natação, futebol, inglês, balé e capoeira. Ignore o mendigo na rua. No natal ceie com suas tias, fique de saco cheio e torça para acabar logo. Se diga católica convicta, mesmo não indo a missa desde a época da crisma. Seja louca para ter um caso com o personal da acadêmia. Perca um tempo irrecuperável de vida. Arrependa-se somente quando não der mais tempo.

DEFINITIVAMENTE NÃO É ISSO QUE EU QUERO PRA MIM!

Janette Machado

Síndrome do chá de sumiço

Queridos leitores, estou aqui hoje para dar o meu depoimento. A primeira vista sou uma garota normal como todas as outras, provavelmente se eu não contasse poucas pessoas perceberiam. Sou portadora da Síndrome do Chá de Sumiço. 

A síndrome sempre se manifestou em mim, já nasci com ela. Porém, seus sintomas se tornaram mais evidentes a medida que fui crescendo. Por ser uma síndrome pouco difundida, muitas mulheres a possuem sem sequer saber.

No começo eu não acreditei, pensava que era coincidência… Era sempre assim, eu conhecia um rapaz, ele me ligava, nós ficávamos e… Ele SUMIA! Simplesmente SUMIA sem dar a menor explicação! Num dia ele estava me chamando de linda e me convidando para sair, mas no outro desaparecia sem dar notícias! 

Uma das formas de manifestação da síndrome, que também é conhecida por Síndrome dos homens invisíveis, tem ultimamente acontecido muito comigo. É uma espécie de sintoma precoce, ocorre antes mesmo de você ter ficado com o cara. Vocês flertam, ela dá em cima de você, te chama para ir ao cinema, ao shopping e… BUM! O cara some! 

Mas nem sempre o desaparecimento dos homens é sem motivo. Existe uma complicação na síndrome que faz com que você se envolva muitas vezes com caras comprometidos. A gente sempre acha que eles vão se apaixonar perdidamente por nós, e então terminarão com as atuais namoradas/esposas.

Como tudo tem que acontecer na surdina, o cara vive sumindo. A diferença desse caso é que eles voltam a aparecer, para logo em seguida desaparecer novamente. Permanecendo nesse ciclo sem fim e, obviamente, sem dar um pé na bunda da atual.

Infelizmente ainda não há uma cura conhecida para a Síndrome do Chá de Sumiço, ou simplesmente Síndrome dos Homens Invisíveis, nem nada que atenue seus sintomas. Portanto, se você que lê esse texto agora se identificou com alguns dos sintomas, se quando parece que tudo está dando certo, os caras simplesmente SOMEM, entre em contato comigo. Pois por enquanto tudo que podemos fazer é trocar informações e experiencias. 

Janette Machado

Papo de bar

Estava no bar, quando o telejornal noticiou mais um caso de desvio de verba pública. O deputado fulaninho, que já recebia um salário de doze mil e tanto por mês, fazia desvios que ultrapassavam um milhão.

O Sr. Juquinha foi o primeiro a se manifestar, entre uma dose e outra (todas pagas com o dinheiro que sua mulher tinha lhe dado para a conta de luz) ele reclamava, enfático, que o Brasil não tinha jeito, que a lei de Gerson só poderia estar no sangue. Foi aí que o Zé levantou meio cambaleante, lá de trás e se pronunciou, disse que era por isso mesmo que ele omitia uma porção de coisas na declaração de imposto de renda. “Para que pagar imposto? Para sustentar jatinho de corrupto? Eu não sou idiota!”, ele bradava. Manuel, que a essa hora já tinha sido expulso do jogo de buraco por esconder uma carta, veio participar da discussão. Ele se dizia cansado de tantos ladrões e tentava se lembrar em quem votara para deputado nas ultimas eleições. 

Eu, como já estava mais ébrio que todos eles juntos, não pude dar a minha opinião. Mas tive a ligeira impressão de ter visto pacos de dinheiro saindo pelas calças de todos eles. 

Janette Machado

A resposta está dentro

Sem bola de cristal. Sem hipnose. Sem TVP.

Sou consequência de tudo que fui. Talvez eu não lembre de toda a história… Mas ainda a sinto, convulsa, pulsando em mim. Ainda sou a mesma. 

Uma pequena, minúscula, fresta no véu de Ísis foi o suficiente para me fazer enxergar uma verdade latente. Vaidade, eu nunca havia atentado para essa palavra…Como não? Como eu pude deixar de ver algo que está estampado em mim? Céus, eu sou toda vaidade! 

Quisera eu que não fosse verdade, quisera eu que tudo não passasse de uma sequencia de coincidências. Mas não é. Caso tivesse tido oportunidade, cairia no mesmo erro, eu sei. (In)felizmente eu sei. Todavia, não sei ainda como faço para me livrar disso. Não sei se já comecei o processo ou não. 

Como nada escapa aos olhos que tudo veem, a mudança se tornou um item emergencial. Mas como faze-la, céus? Como? Todo dia sou constrangida a ver minha vaidade pisoteada, estatelada no chão. 

Em vez de me desarmarem, me deram novamente a arma. Só que dessa vez sem munição. Eu atiro, mas nada além do barulho acontece. Com toda a sinceridade, ainda não sei exatamente o porquê disso… Talvez, se eu conseguir aprender logo a utilizá-la em prol de causas maiores que a satisfação das minhas paixões, eu tenha a munição restituída.

Obviamente vocês não estão entendendo uma vírgula do que eu estou dizendo. E não é para ser entendido mesmo. É só para ser sentido. Se sentirem, um pouco que seja, não precisarão pensar no que está escrito.

No fundo, isso aqui foi só o desabafo de alguém que pela primeira vez em quase 18 anos começou a compreender o que acontecia consigo mesma.

Janette Machado

Memórias póstumas

Sou um zumbi. As vezes me alimento de vocês, mas vocês não percebem. Seus corpos começam a apodrecer. Mas vocês não percebem.

Foi assim que aconteceu comigo, um dia senti fome e comi um pedaço de mim mesma. Apodreci por inteira, então, e virei morta-viva. Mas vocês não perceberam.

De vez em quando nem faço nada, porém a decomposição exala tal cheiro que vocês morrem intoxicados. Mas não percebem. Me desculpem, eu não queria matá-los, nem queria estar morta. Se eu pudesse não teria esse buraco horrendo no peito, que faz com que meu coração fique exposto. Se bem que vocês nem percebem…

Eu não como cérebros, porque é muito difícil encontrá-los, e quando encontro gosto de os admirar. A maioria de vocês quando vê um, não percebe.

Talvez seja melhor não perceber mesmo. Assim o cheiro da própria putrefação não incomoda tanto… Um dia, quem sabe, eu consiga ressuscitar. Só espero que isso aconteça antes que as bactérias e os fungos, que eu mesma criei, me decomponham por completo.

Janette Machado 

Tudo que há de bom

Amor.Chocolate.MPB.Nhoque.O fantasma da ópera.Lápis de olho.Banho de chuva.Teatro.Pizza.Sorriso.Moulin Rouge.Anel.Nelson Rodrigues.Palco.Gargalhada.Sorvete de creme.Homem com barba por fazer.Batom vermelho.O teatro mágico.Pimenta.Beijo.Escrever.Pipoca.Esperança.Oswaldo Montenegro.Rosa vermelha.Sexta-feira.Castanha do cajú.Chico Buarque.Livros.Bala de café.Acordar tarde.Saia indiana.Imaginação.Banho de mangueira.Puxão de cabelo.Delineador.Canela.Dançar.Doce-de-leite.Andar descalça.Shakespeare.Estampa de onça.Poesia.Algodão-doce.A Bela e a Fera.Coca-cola.Cantar.Meia-calça.Lasanha.Esmaltes.Fotografia.Bolhas de sabão.Liberdade.Goiabada com pão.CD’S.Batata-frita.Sociedade dos poetas mortos.Circo.Inquietude. Música celta.Caetano Veloso.Céu azul-cor-de-camisa-polo.Mar.Nietzsche.Microsoft Word.Noite.Salada de frutas com leito condensado.Amigos.Sebo.Tornozeleira.Marisa MonteBolo de chocolate.Mãe.Palavras.SMS.Charles Bukowski.Dormir tarde.Inalador de vick.Blush.Cyrano de Bergerac.Blondor.Paz.Rita Lee.Chuva de verão.Nhá benta.Espanhol.Caio Fernando de Abreu.Palhaço.Halls preta.Feriado.Beatles.Piña colada.Caramelo.Literatura.Espiritismo.A noviça rebelde.Farofa.Peter Pan.Brigadeiro.Dionísio.Pão francês com queijo minas.Turma da Mônica.Lua.Malabarista.Legião urbana.México.Hipérbole.Gabriel, o Pensador.Amor livre.Bombom de licor.Chapolin Colorado.Trio Los Panchos.Contracultura.Balett.Mamonas Assassinas.Salto alto.Peixe frito com molho rosé.Cabelo comprido.Ameixa seca.Fernando Pessoa.Balanço.Ironia.Noel Rosa.Biscoito Amanteigado.Cheiro de terra molhada.O corcunda de Notre Dame.Chantilly.Desenho animado.Calvin e Haroldo.MP3.Letras.Homem de cueca boxer.Meditar.Cultura cigana.Desenho animado.Bar.Empada de camarão com catupiry.Flor-de-lotús.Listas.

Janette Machado

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